10 fevereiro 2010

News Release 1514 : Takargo com comboio para a Polónia


Faro [Portugal], 10.02.2010, Semana 07, Quarta-feira, 11:32

Segundo informa a T&N Transportes e Negócios, a Takargo está a preparar um serviço de base ferroviário para ligar Portugal à Polónia, para abastecer aas lojaas Biedronka que a Jerónimo Martins detém naquele país.


Luís Moreira


09 fevereiro 2010

News Release 1513 : Galway - Limerick vai reabrir


Faro [Portugal], 09.02.2010, Semana 07, Terça-feira, 11:10

No próximo mês, com mais rigor em 30 de Março, os IE Iarnród Éireann (Caminhos de Ferro Irlandeses), vão reabrir o corredor ferroviário entre Limerick e Galway. Este investimento de € 107 milhões, envolveu a reabertura de 58 kms entre entre Ennis e Athenry, com novas estações em Sixmilebridge, Gort, Adrahan e Craughwell.


Luís Moreira


News Release 1512 : Anúncio de Procedimento nº 425/2010 (ML)


Faro [Portugal], 09.02.2010, Semana 07, Terça-feira, 10:19

Informamos os nossos amigos leitores, de que, o ML Metropolitano de Lisboa, fez publicar no Diário da República, II Série, nº 27, de hoje, 9 de Fevereiro de 2010, um anúncio de procedimento com o nº 425/2010 e que observa assim:

- OBJECTO DO CONTRATO

Designação do contrato: Empreitada de Instalação de via Férrea nos Troços Oriente (OR) - Aeroporto (AP) e Integração com Rede Existente do Metropolitano de Lisboa, E.P.E.-Proc. 354/09-GJC


Descrição sucinta do objecto do contrato: Empreitada de Instalação de via Férrea nos Troços Oriente (OR) - Aeroporto (AP) e Integração com Rede Existente do Metropolitano de Lisboa, a executar nos termos e condições constantes do Caderno de Encargo e demais documentos que integram o Processo de Procedimento.

Tipo de Contrato: Empreitada de Obras Públicas

Valor do preço base do procedimento: 7.750.000,00 EUR

- LOCAL DA EXECUÇÃO DO CONTRATO

Lisboa

País: PORTUGAL
Distrito: Lisboa
Concelho: Lisboa
Código NUTS: PT171
- PRAZO DE EXECUÇÃO DO CONTRATO

Empreitadas de obras públicas

Prazo contratual de 248 dias contados nos termos do disposto no nº 1 do artigo 362º do CCP

- IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR DO ANÚNCIO

Nome: Joaquim Reis
Cargo: Presidente do Conselho de Administração


Luís Moreira


08 fevereiro 2010

News Release 1511 : Uma morte em PN na Linha do Algarve


Faro [Portugal], 08.02.2010, Semana 07, Segunda-feira, 21:34

Ocorreu na tarde de hoje, mais um acidente trágico, mais rigorosamente uma colhida de um veículo rodoviário em PN, desta vez, no extremo da Linha do Algarve, em Vila Real de Santo António.

Embora socorrido pelo INEM, um homem de cerca de 60 anos, veio a falecer em consequência dos ferimentos sofridos, pese embora a colisão tenha ocorrida a baixa velocidade, pois o Regional estava a sair da estação de Vila Real de Santo António e dirigia-se para Faro. Como é normal fazermos, juntamos a ficha Rail Safety Notice relativa ao acidente.




Luís Moreira


News Release 1510 : RAVE vende TGV português a Obama e Putin


Faro [Portugal], 08.02.2010, Semana 07, Segunda-feira, 14:59

Com cortesia, editamos na íntegra, notícia do jornal Diário Económico, publicada hoje na sua página electrónica, com informação ferroviária relevante.

Projecto nacional de alta velocidade é considerado um exemplo no capítulo da transferência de riscos.

O projecto português de alta velocidade ferroviária está a ser alvo do interesse dos responsáveis dos governos dos Estados Unidos e da Rússia.

A partir de hoje Carlos Fernandes, administrador da RAVE - Rede de Alta Velocidade, vai iniciar uma semana de contactos com cerca de cinco centenas de membros da administração federal de Barack Obama e de responsáveis por vários governos estaduais norte-americanos. Até ao final do mês, este responsável da RAVE irá ainda deslocar-se à Rússia, a convite da empresa estatal de caminhos-ferro, responsável pelo arranque do projecto de TGV entre São Petersburgo e Moscovo.


Paulo Almeida


News Release 1509 : Ramal ferroviário da mina Neves-Corvo reabre a 15 de Abril


Faro [Portugal], 08.02.2010, Semana 07, Segunda-feira, 14:57

Com cortesia, editamos na íntegra, notícia do jornal Correio Alentejo, publicada hoje na sua página electrónica, com informação ferroviária relevante.

A circulação ferroviária no ramal da mina de Neves-Corvo, que foi suspensa em Dezembro por falta de condições de segurança provocadas pelo mau tempo, deverá reabrir a 15 de Abril, anunciou a REFER.

Segundo a empresa, os trabalhos de reposição e estabilização do talude do aterro existente ao quilómetro 14,100 do ramal e de reposição da superstrutura da via, num investimento de cerca de 1,1 milhões de euros, arrancaram quarta-feira e deverão durar dois meses.

"Até à primeira semana de Abril", prevê a REFER, o aterro e novas passagens hidráulicas deverão estar "executados", o que irá permitir a reposição da via-férrea e a reabertura do ramal à circulação ferroviária no "próximo dia 15 de Abril".

Com uma extensão de cerca de 30 quilómetros, o ramal ferroviário, que liga Ourique à mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde, é usado apenas por comboios de mercadorias.


Paulo Almeida


News Release 1508 : Boas Festas de Natal recebidas (MTS)


Faro [Portugal], 08.02.2010, Semana 07, Segunda-feira, 14:50

Recebemos nos nossos serviços, Boas Festas de Natal e de Bom Ano Novo, remetidas pelo MTS Metro Transportes do Sul, na pessoa do seu Presidente, José Luís Brandão, que agradecemos.




Luís Moreira


News Release 1507 : Aviso de Procedimento nº 401/2010 (REFER)


Faro [Portugal], 08.02.2010, Semana 07, Segunda-feira, 12:37

Informamos os nossos amigos leitores, de que, a REFER fez publicar no Diário da República, II Série, nº 26, de hoje, 8 de Fevereiro de 2010, um anúncio de procedimento com o nº 401/2010 e que observa assim:

- OBJECTO DO CONTRATO

Designação do contrato: "Aquisição de Aparelhos de Via - Sistema de Mobilidade do Mondego"

Descrição sucinta do objecto do contrato: Constitui objecto do concurso, a aquisição de 40 aparelhos de via que se identificam de seguinte maneira: 30 Aparelhos de Mudança de Via Simples, 9 Comunicações e 1 Feixe. São também objecto do concurso a aquisição 16 aparelhos de dilatação (7 unidireccionais e 9 bidireccionais).

Tipo de Contrato: Aquisição de Bens Móveis

- LOCAL DA EXECUÇÃO DO CONTRATO

Ramal da Lousã
País: PORTUGAL
Distrito: Coimbra
Concelho: Lousã
Código NUTS: PT162

- PRAZO DE EXECUÇÃO DO CONTRATO

Empreitadas de obras públicas
Prazo contratual de 8 meses contados nos termos do disposto no nº 1 do artigo 362º do CCP

- IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR DO ANÚNCIO

Nome: Luís Filipe Pardal
Cargo: Presidente do Conselho de Administração


Luís Moreira


07 fevereiro 2010

News Release 1506 : CP vai fazer manutenção de comboios suíços


Faro [Portugal], 07.02.2010, Semana 06, Domingo, 09:50

Com cortesia, editamos na íntegra, notícia do jornal Diário Económico, publicada dia 4 do corrente mês na sua página electrónica, com informação ferroviária relevante.

A SBB e a EMEF vão assinar um contrato para a manutenção dos ‘pendolinos’.

O grupo CP, através da sua participada EMEF, continua a ganhar pontos na sua estratégia de internacionalização, estando neste momento a ultimar um protocolo de cooperação técnica com os caminhos-de-ferro suíços. Ainda não está definido o valor do contrato, uma vez que as duas empresas estão neste momento a negociar a duração e o âmbito deste acordo de exportação de tecnologia e ‘know-how' nacionais no sector ferroviário.

"A EMEF foi convidada pela empresa de caminhos-de-ferro suíça Swiss Federal Railways (SBB) para uma colaboração, tendo em vista a manutenção da frota dos comboios Pendolino suíços (ETR470)", revelou ao Diário Económico Carlos Frazão, presidente da comissão executiva da EMEF. "A EMEF e a SBB já acordaram na celebração de um projecto de cooperação tecnológica, envolvendo outras áreas de interesse mútuo, como próxima etapa da colaboração que agora se enceta", destacou este responsável.



Paulo Almeida


News Release 1505 : Uma vida a ver passar comboios


Faro [Portugal], 07.02.2010, Semana 06, Domingo, 09:48

Com cortesia, editamos na íntegra, notícia do jornal I, publicada dia 5 do corrente mês na sua página electrónica, com informação ferroviária relevante.

Há 11 anos eram mais de 900. Restam 190. Nos próximos anos, a profissão morrerá, com a modernização das linhas e das passagens de nível

Linha do Norte, passagem de nível ao quilómetro 310. Cecília Pereira fala pelo cotovelos - é uma "metralhadora" de palavras. É guarda de passagem de nível (PN) em Esmoriz e não tem mãos a medir com o trabalho. Por dia, passam na PN ao quilómetro 310 da linha do norte 210 comboios. Cecília conta 30 anos de carreira à beira da linha e tem assistido às sucessivas introduções de tecnologia no serviço. Antes, tinha de baixar as cancelas manualmente. Agora, já são automáticas. Mas as inovações que lhe facilitaram a vida nos últimos anos vão ditar, em breve, a extinção do seu posto de trabalho.

Assim que estiver terminada a modernização do troço que liga Ovar a Vila Nova de Gaia - as obras devem arrancar em 2011 -, Cecília Pereira deixará de ser guarda de passagem de nível e irá juntar-se às estatísticas da Refer: em 1999 existiam 908 guardas, espalhadas por todo o país. Hoje, são apenas 190. O objectivo da empresa é "reduzir a sinistralidade". E se em 1999 foram registados 154 acidentes em passagens de nível, hoje o número é bem inferior. No ano passado, aconteceram apenas 49.

Na passagem de nível de Esmoriz, Cecília reveza-se com outra colega para garantir a vigilância entre as oito da manhã e as oito da noite. Antes de chegarem a uma PN, os comboios pisam um sensor no carril, que faz disparar as campainhas e ordena o fecho das cancelas. É então que Cecília sai da barraca, pega na bandeira vermelha, enrolada, e faz sinal ao maquinista, em sentido. O gesto significa que todo o sistema de circulação está operacional e que a PN está livre de obstáculos.

Um dia, fartou-se de acenar aos comboios e resolveu contá-los. "Só das 10 da manhã às 10 da noite contei 91", garante. Porque a profissão exige "responsabilidade e atenção permanente", Cecília prefere abdicar da televisão na barraca onde se abriga. Às vezes, aborrece-se e "as horas custam a passar". Especialmente agora, que já é quase tudo automático. Mas o pior do trabalho - em vias de extinção - são mesmo as campainhas, que se repetem, monocórdicas, centenas de vezes por dia, antes da chegada de cada comboio. "Houve uma altura em que não aguentava mais o barulho. Ia morrendo da cabeça e tive de tomar medicação", recorda. Cecília admite que é uma profissão "difícil". Mas acrescenta: "Foi a que escolhi." Por ser a mais velha de todos os irmãos, teve de se fazer à vida aos 12 anos. Com 24, "andava à hora nas limpezas". A Laura, uma amiga da patroa, era guarda de PN e emigrou para a Venezuela. O lugar ficou vago e, em 1980, Cecília tornava-se substituta - fazia as folgas e as férias das guardas efectivas em Canelas (Gaia). No primeiro dia de trabalho, vestiu uma "saia da moda ao xadrez bege e castanho", que encomendou de propósito a uma modista. Em 30 anos, passou por várias passagens de nível: em Avanca, Oliveira do Bairro, Granja. Tantas que não sabe "enumerar de cor". Durante uma década, fez turnos nocturnos. "Noites em que só se ouvia, no meio do escuro, o barulho do ladrar dos cães e das canas que antigamente havia à beira das linhas do comboio, a sacudirem-se ao vento." Era o tempo em que tinha de carregar as cancelas às costas e desdobrar-se em telefonemas para a estação mais próxima, para avisar se os comboios passavam na PN à tabela.

O que nunca muda, garante, é o facto da passagem de nível ser "um confessionário" e um ponto de passagem "insubstituível". Cecília está habituada à convivência com quem por ali passa, todos os dias. Há os vizinhos, os "bêbedos do costume", os mendigos que vão à procura de esmola. As crianças da escola que exigem atenção redobrada ao atravessar a linha. Os automobolistas que pedem indicações. E, inevitavelmente, os condutores que se irritam quando as cancelas baixam e é preciso esperar. Nessas situações - e porque está ali para garantir a segurança -, Cecília não tem papas na língua. "Alguns insultam-me e já me gritaram: 'Ainda o comboio vai no Porto e tu já estás a fechar a cancela'. E eu às vezes respondo à letra e mando-os comprar umas asinhas e voar por cima", conta. Aliás, segundo a Refer, 95% dos acidentes devem-se à falta de civismo e ao não cumprimento da sinalização. Cecília confirma: "Muitos armam-se em atletas, tentam contornar as barreiras e às vezes corre mal." Apesar de tudo, em 30 anos de serviço nunca teve nenhum dissabor - à excepção do assalto que a barraca sofreu, não há muito tempo: os ladrões levaram-lhe o micro-ondas, uma cadeira e uma ventoínha.

Linha de Cascais, PN ao Km 22,556 Em S. João do Estoril, Maria do Carmo está longe das origens. Ela, que é de Vila Real de Trás-os-Montes. Tem 47 anos e é guarda há 25 - nunca teve outra profissão. Em 1985, começou como substituta na PN de Paço de Arcos. Estava longe de adivinhar que 17 anos depois, em 2002, na de Santos, assistiria à morte instantânea de seis rapazes. "Puseram-se a fazer uma corrida ao lado do comboio. A ideia deles era chegar à passagem de nível antes do maquinista e conseguir atravessar a passagem de nível à frente do comboio", recorda. Tinha acabado de entrar ao serviço, às 6h30, e não se esquece do momento em que o carro foi abalroado. "Depois, ficou completamente desfeito e fez-se silêncio."

Maria do Carmo garante que ultrapassou o choque e, nos últimos anos, assume o comando da única passagem de nível da linha de Cascais com guarda. E que, além disso, ainda tem outra particularidade: é a única do país onde a bandeira que ostenta é verde e não vermelha. Porque quando a linha de Cascais apareceu foi concessionada pela Sociedade Estoril que tinha uma regulamentação muito própria. "Eficaz, mas mais ligeira em termos de procedimento", explica o inspector de circulação da linha, José Rodrigues. Na PN de S. João do Estoril passam 110 comboios por dia. Assim que seja construída uma passagem inferior para peões junto à estação - já protocolada com a Câmara de Cascais - a última representante das guardas naquela linha deixará de ser precisa. O que, garante a Refer, não significa que o vínculo à empresa se extinga. "Tentamos a reintegração em novas funções. Há antigas PN a exercer tarefas de secretariado, de triagem de correspondência, entre outros serviços."



Linha do Norte, PN ao Km 3,594 Poço do Bispo, Lisboa. É quase hora de almoço. A campainha da PN dispara de repente, as cancelas fecham-se e uma idosa arrisca e passa a barreira para chegar ao outro lado da linha. Caminha devagar, com uma muleta na mão direita e uma pequena botija de gás na mão esquerda. Aida Esteves, a guarda da PN, abana a cabeça em jeito reprovador e aproveita para explicar que este é um comportamento frequente e de evitar. "Pensam que conseguem ter tempo para passar, mas às vezes há azares", resmunga. Em Poço de Bispo, a PN é ponto de passagem de muitos idosos do bairro de Marvila. "E os hábitos estão tão enraizados que é difícil sensibilizar para a questão da segurança", conta. Aida é uma das poucas e últimas verdadeiras guardas de passagem de nível - ainda tem de dar à manivela para baixar as cancelas. Acena à passagem dos comboios com a bandeira na mão direita e uma lata de petardos e uma corneta na esquerda - objectos que quase já não têm utilidade. "A corneta servia para ajudar os maquinistas a fazer manobras e os petardos encaixam-se nos carris em caso de anomalia e rebentam à passagem do comboio, avisando o maquinista de que deve parar."

Assim que o TGV chegar, a missão de Aida, agora com 47 anos, termina e a linha será modernizada e automatizada. E depois? "Estou mentalizada para o fim. Não sei o que irei fazer, mas quero continuar na empresa. A minha vida foi toda isto, os comboios."


Créditos: Pela foto, agradecimento ao jornal I.


Paulo Almeida


06 fevereiro 2010

News Release 1504 : Mudança de Horários (Aviso CP)


Faro [Portugal], 06.02.2010, Semana 06, Sábado, 13:59

Recebemos nos nossos serviços, por parte da CP, a informação de que, a partir de amanhã (7 de Fevereiro, Domingo), entram em vigor alterações aos horários de alguns comboios das Linhas do Minho, da Beira Baixa, do Leste, do Sul e do Algarve.

Os novos horários podem ser consultados aqui:

Linha do Minho
Linha da Beira Baixa
Linha do Leste
Linha do Sul
Linha do Algarve


Luís Moreira


News Release 1503 : Tarifário da CP desincentiva o uso do comboio do Oeste para o resto do país


Faro [Portugal], 06.02.2010, Semana 06, Sábado, 13:22

Com cortesia, editamos na íntegra, notícia do jornal Expresso, publicada ontem na sua página electrónica, com informação ferroviária relevante e citando o jornal Gazeta das Caldas.

A D. GUIDA...

A D. Guida tem 70 anos e vive nas Caldas. Passou um fim-de-semana em Lisboa com uns familiares que a levaram à estação do Rossio para regressar a casa. Fizeram mal. Mais valia ter vindo de autocarro porque a primeira surpresa da D. Guida foi que não podia comprar o bilhete para as Caldas nas bilheteiras do Rossio. Dali só lhe vendiam o título de transporte para o Cacém, onde a passageira teria de atravessar as linhas para comprar um novo bilhete para as Caldas e apanhar outro comboio.

No entanto, em sentido contrario, não há problema nenhum em comprar na estação das Caldas da Rainha um bilhete directo para o Rossio.

A MARIA...

Maria, uma jovem caldense, estudante de Medicina no Porto, regressava à Invicta no domingo à tarde. Apanhou o inter-regional para Coimbra onde contava apanhar o Alfa para Campanhã. Mas como tinha caído uma catenária (cabo de alto tensão que fornece energia eléctrica aos comboios) a circulação estava suspensa e a CP organizou um transbordo rodoviário para Aveiro, onde os passageiros deveriam apanhar o Alfa.

Uma descoordenação entre a CP e a Refer fez, porém, com que o Alfa Pendular partisse antes do autocarro chegar, pelo que os passageiros, uma vez em Aveiro, foram convidados a prosseguir a viagem até ao destino final pelo modo rodoviário.

Farta das voltas do autocarro, Maria optou, no entanto, por ficar em Aveiro e apanhar um comboio regional para o Porto. Não lhe passava pela cabeça que o seu título de transporte para o comboio mais caro da CP não servisse para o ronceiro regional que parava em todas as estações e apeadeiros. Não foi multada pelo revisor, mas teve que pagar 3,50 euros pela "revalidação" do seu bilhete!

...E A MÃE DO JOÃO

O João, 42 anos, pensou que o comboio era o modo de transporte mais adequada para a sua mãe se deslocar do Bombarral para Espinho, onde tem parte da família. Foi ver os horários e ficou a perceber o motivo do slogan da CP na última Bolsa de Turismo de Lisboa - "Aventure-se. Vá de Comboio!".

É que do Bombarral para Espinho a CP oferece três ligações. Uma com cinco (sim, cinco!) comboios, que demora cinco horas e pela qual cobra 16,60 euros. A mais rápida faz-se com quatro comboios durante pouco mais de quatro horas e custa 19,85 euros. A mais cara custa 20,55 euros e é a que demora mais tempo: seis horas e 17 minutos do Bombarral a Espinho com direito a transbordo nas Caldas, Bifurcação de Lares e Coimbra.

O João nem queria acreditar que a viagem fosse tão complicada. E nunca chegou a perceber por que motivo todos os comboios do Bombarral terminam nas Caldas e é preciso mudar para outro exactamente igual para seguir viagem para norte.

DE COMBOIO NUNCA MAIS

Estas três histórias são verdadeiras e mostram à saciedade no que se transformou a burocracia da CP ao ser segmentada em unidades de negócio. CP Lisboa, CP Porto, CP Regional e CP Longo Curso até podem ser uma boa ideia para a empresa se organizar internamente, mas quando ganham vida própria e a sua autonomia vai ao ponto de trabalharem de costas voltadas sem tirar partido do efeito de rede do sistema ferroviário, acontecem estas desajustes que só desincentivam o uso do comboio. A prova é que a Maria nunca mais voltou a comprar um bilhete à CP e passou a ir de autocarro para o Porto. E a D. Guida, apesar de reformada e só pagar meio bilhete na CP, prefere também usar o autocarro das Caldas para Lisboa.

Já o João não passou da consulta aos horários. Nem pensar em deixar a mãe embarcar naquela aventura. E já se habituou a ir levá-la de carro a Espinho.

VIAJAR MENOS E PAGAR MAIS

Vejamos mais um exemplo: das Caldas ao Porto são 265 quilómetros e um passageiro tem de viajar num comboio da CP Regional até Bifurcação de Lares onde apanha outra composição para Coimbra a fim de seguir para Campanhã num comboio rápido. A viagem pode custar 15,90 euros, ou 16,15 ou até 24,90 euros se apanhar o Alfa em Coimbra. Mas um passageiro que faça os 337 quilómetros de Lisboa ao Porto num comboio directo só paga 19,50 euros (27,90 no Alfa Pendular). Ou seja, o cliente do Oeste viaja menos quilómetros, usa comboios de categoria inferior, tem dois transbordos e paga mais do que numa viagem directa de maior distancia. É assim que a CP quer incentivar o uso do comboio?

Das Caldas da Rainha à Guarda (315 quilómetros) paga-se 18,60 euros ou 19,90 euros e é preciso fazer transbordo. Mas de Lisboa à Guarda (387 quilómetros) só se paga 17,00 euros e a viagem é directa.

O mesmo acontece com o exemplo de Espinho. O Bombarral fica a 262 quilómetros daquela cidade, mas o bilhete é mais caro do que uma viagem desde Lisboa, que fica a 318 quilómetros.

Para todos estes casos, o bilhete na Rede de Expressos é sempre mais barato.

Surpreendente? Nem por isso. Um caldense que pague 15,50 euros para ir para o Porto, paga sempre o mesmo, independentemente de mudar em Leiria ou Coimbra ou de ir directo para a Invicta. Mas na CP, por cada viagem e cada transbordo, é como se o passageiro estivesse a comprar um novo bilhete. E é por isso que das Caldas ao Porto o comboio é sempre mais caro do que o autocarro.

UMA VISÃO SEGMENTADA

Tudo isto parece preocupar pouco a administração da CP que aparece dividida nas tais unidade de negócios que possuem a sua própria frota de material circulante e quadro de pessoal (maquinistas e revisores). E cada uma tem também a sua direcção executiva, cujos gestores têm melhores salários, automóvel, cartão para combustível, telemóvel e secretária.

Este modelo torna os custos mais transparentes porque cada unidade de negócios tende a rentabilizar melhor os seus recursos, mas a esta gestão autónoma acaba por faltar uma visão de conjunto, com os resultados que se conhecem para os consumidores, em termos de tarifário, e de horários que não garantem ligações entre comboios.

A transportadora pública, ao contrário do que acontece com as suas congéneres europeias, não tem um contrato de prestação de serviços com o Estado. Em cada ano, o governo atribui uns trocos a título de indemnizações compensatórias para a empresa, que caem no buraco sem fundo do seu défice.

Como o serviço regional é o que dá mais prejuízo, a empresa prefere vender percursos do que aplicar uma tarificação quilométrica, mais justa e mais compreensível pelos passageiros. É por isso que uma viagem com vários transbordos sai mais cara do que se for directa.

Algo que, como refere o caldense Nelson Oliveira, engenheiro com pós-graduação em caminhos-de-ferro, "não acontece noutras redes estrangeiras de referência [SNCF, RENFE, DB, Trenitália] onde os horários dos comboios mais lentos são conjugados com os dos rápidos para assegurar a função de recolectores e distribuidores"

Para este especialista, também presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro (APAC), "as unidades de negócios centram-se na procura dos melhores resultados financeiros, o que nem sempre resulta em favor de um melhor serviço, pois numa exploração conjunta, os benefícios de uns compensavam os prejuízos de outros".

Um exemplo: como os regionais dão prejuízo, cada vez há menos oferta, "mas se os horários destes fossem conjugados com os dos comboios rápidos, como eram dantes, os regionais traziam passageiros para os serviços de longo curso, onde a empresa ganhava mais por causa dos suplementos de velocidade, e o prejuízo era compensado".

É que, afinal, nem tudo era mau antigamente, como repetidamente o dizem ferroviários e passageiros. Há 20 anos a CP tinha quatro vezes mais estações com venda de bilhetes do que hoje, grande parte delas com horários ininterruptos e os clientes (na altura chamavam-se utentes) sabiam com o que podiam contar.

Há 20 anos comprava-se um bilhete na estação do Rossio para as Caldas sem qualquer dificuldade e não havia computadores nas bilheteiras.

Petição pela requalificação da Linha do Oeste já está online

Já está disponível na Internet a petição "Pela requalificação e modernização da infra-estrutura e pela introdução de um serviço ferroviário de qualidade na Linha do Oeste". Em http://www.petitiononline.com/plo1001/petition.html já se pode aceder ao texto que está também nas ruas a recolher assinaturas, com o objectivo de levar a Linha do Oeste à na Assembleia da República ainda no período de discussão do Orçamento de Estado para 2010.

Lançada na passada semana, conforme noticiado pela Gazeta das Caldas, a petição foi promovida por um grupo de cerca de meia centena de cidadãos, conhecidos pelos seus cargos políticos em diversos partidos, pelas funções que desempenham em entidades regionais, por serem empresários, académicos, médicos e advogados de mérito reconhecido. Além das assinaturas entretanto recolhidas nas ruas e em acontecimentos políticos, na passada terça-feira a petição já contava com mais duas centenas de assinaturas feitas online. São necessários quatro mil signatários para que o documento seja debatido no Parlamento.

A RESPOSTA DA CP

Gazeta das Caldas apresentou os casos referidos à CP, convidando a empresa a replicar, o que foi feito através do seguinte texto, que recebemos por correio electrónico e que transcrevemos de seguida:

Começamos por recordar que a CP tem desenvolvido nos últimos anos um trabalho de identificação de questões nos âmbitos apontados no seu email, bem como de criação de soluções para as várias necessidades detectadas. Estas soluções, como é do conhecimento geral, estão em curso e permitirão resolver a maioria destas questões.

Especificamente, no que se refere aos exemplos que seleccionou, estes não têm em consideração o facto de actualmente estar em vigor o DL nº58/2008.

Para além disso, a necessidade de distinção entre serviços foi reforçada com o Regulamento nº 243/2008, aprovado para o novo modelo tarifário dos serviços regionais. Com base neste regulamento, o preço para a utilização de dois serviços deve ser sempre definido pelo somatório dos preços de cada um dos serviços.

Por outro lado, a nova legislação pela qual a CP se deve reger conduz o operador a praticar preços por tipo de serviço e por origem e destino.

1º Exemplo (D. Guida)

Em 2005, a CP iniciou uma análise aos processos tarifários pelas várias UN's, num processo que culminou com a alteração da Tarifa Geral de Transportes, que remontava a 1975 e a publicação do DL 58/2008 bem como a aprovação de um novo modelo tarifário para os serviços quilométricos da CP (R e IR), tal como refere o Regulamento 243/2008. Foi esta alteração regulamentar que veio dar suporte ao início da reestruturação tarifária da CP tendo em vista a correcção das questões de incoerência tarifária e outros problemas identificados.

Neste momento a CP tem em curso:

A implementação do modelo tarifário para os serviços R e IR.Este processo, tal como previsto no Regulamento nº 243/2008, será concretizado em cinco fases. Apenas a 1ª fase está implementada. Só com a implementação da 5ª fase, será possível considerar que o modelo se encontra totalmente implementado, estando nessa altura conferida a regularização do sistema de preços destes serviços.

2. Quanto à dificuldade na aquisição de bilhete para o serviço Regional e Longo Curso, podemos adiantar que durante o mês de Fevereiro passará a ser possível a aquisição de bilhetes para estes serviços na estação do Rossio, o que, devido à forte procura e movimento do serviço suburbano, será realizado numa bilheteira autónoma, à semelhança do que acontece nas grandes estações (por exemplo, Santa Apolónia, Oriente e Campanhã).

3. Progressivamente, durante este ano, as restantes bilheteiras da zona urbana de Lisboa que se encontram sob gestão da unidade de negócios responsável pelo serviço desta zona, passarão a ter a disponibilidade de efectuar a venda de qualquer tipo de serviço nacional.No exemplo referido, Caldas - Rossio, é possível ao cliente, nas Caldas (bilheteira universal) adquirir um título para todo o percurso. No Rossio (bilheteira dedicada aos serviços urbanos de Lisboa) só é possível adquirir um título para o serviço urbano, portanto até ao Cacém.

Independentemente do número de títulos que o cliente é obrigado a comprar para efectuar a viagem, o valor final a pagar é igual (na ida e na volta).

2º Exemplo (A Maria)

O exemplo refere a Revalidação de um título do serviço de Longo Curso para o serviço Regional numa situação de circulação perturbada em que o recurso ao serviço Regional não resulta por opção do plano de viagem inicial do cliente. Nos casos em que o cliente altera o seu plano de viagem por sua vontade, convém referir que nos serviços de Longo Curso, o cliente pode pedir o reembolso até 30 minutos antes da partida do comboio sendo reembolsado da totalidade do valor do bilhete e adquirindo então o bilhete para o serviço Regional. No exemplo citado, o cliente tem direito ao reembolso do bilhete através do serviço de reclamações e reembolsos da CP, pelo que, deveria ter pago um bilhete regional e requerido o reembolso do bilhete original ou, pagando a revalidação (forma encontrada pelo revisor para não considerar o passageiro sem bilhete), solicitar ao serviço de reclamações e reembolsos da CP a devolução da quantia paga em excesso.3º Exemplo (A mãe do João)

A oferta de serviços CP é adequada à procura, às condições da infra-estrutura e à disponibilidade de material circulante. Neste sentido, não é possível a realização de serviços directos entre todos os percursos existentes ao longo do país, assim como também não é possível que os comboios de Longo Curso, Alfa Pendular e Intercidades, circulem em todas as linhas. A diferenciação de serviços está adequada ao mercado existente e às condições técnicas necessárias à realização dos mesmos.Naturalmente que, na medida do possível e tendo em atenção os factores já supracitados, a CP se esforça para a que a coordenação entre horários dos vários serviços seja assegurada, contudo isto não é possível para todos os comboios e ligações.Além disto, conforme já referido e de acordo com a legislação em vigor, o preço para a utilização de dois serviços deve ser sempre definido pelo somatório dos preços de cada um.

Por fim, gostaríamos ainda de chamar a atenção para o facto de que a existência de algumas incongruências tarifárias nos serviços da CP, resulta tanto em situações que não beneficiam o cliente, como noutras que claramente o favorecem. A título de exemplo, só para citar duas situações:

1 - A implementação da primeira fase do novo modelo tarifário do serviço regional implicou uma redução dos preços em vários percursos, consequência do ajustamento do preço dos escalões (beneficiando vários clientes).

2 - Em zonas de serviço urbano, quando a empresa reconhece necessidade de complemento de oferta de comboios deste serviço, é permitida a utilização de títulos urbanos nos comboios de serviço regional, em benefício do cliente.

A CP está atenta a todos os constrangimentos que estas mudanças têm causado nos seus clientes, e está a envidar esforços para minimizar a curto prazo os aspectos menos favoráveis do sistema tarifário, da sua rede de vendas e da sua oferta.

Ana Maria Portela
Marketing e Comunicação Corporativa
CP - Comboios de Portugal

 OPINIÃO

Autenticidade e conveniência

Os casos aqui relatados são o exemplo perfeito daquilo que não deve acontecer quando se pretende modernidade e eficácia no domínio empresarial. Poderão dever-se à adopção de modelos organizacionais rígidos ou autistas, não alinhados com as necessidades e preferências do mercado, ou mesmo à primazia de interesses particulares e imediatos, face ao bem comum e à sustentabilidade a longo prazo. Mas do que não há dúvida, é que são violados princípios fundamentais do marketing de serviços, cuja factura será paga mais tarde ou mais cedo.

O atendimento e serviço ao cliente é orientado, no ambiente competitivo dos nossos dias, por princípios científicos de gestão, de que o marketing de serviços constitui o principal corpo teórico. Desde logo, porque os serviços representam mais de metade do produto e do emprego nacional; depois, porque é no domínio dos serviços que se estabelece parte significativa da diferenciação que determina a escolha dos clientes; finalmente, porque é sobretudo através dos serviços que se avalia a credibilidade do marketing e a inerente ética empresarial.

Excepto nas situações de monopólio e cartel, ou quando o Estado não regula e supervisa eficazmente a concorrência, as empresas preocupam-se e esforçam-se por satisfazer e fidelizar os clientes, acrescentando permanentemente valor à sua oferta. Esta é uma garantia de sobrevivência no mercado, geradora de valor para os accionistas e para a comunidade. Violar este princípio, por razões de personalismo ou imediatismo, é condenar uma organização ao fracasso, com significativas perdas para todas as partes.

O consumidor de serviços valoriza especialmente dois paradigmas: autenticidade e conveniência. Num mundo de aparências, em que a realidade é manipulada para parecer o que convém, a verdade é cada vez mais procurada antes de se tomar uma decisão de compra, sobretudo quando ela implica com a sensibilidade do consumidor. E quando o pressuposto é a confiança, qualquer engano frustra a expectativa e põe em causa a credibilidade da empresa ou seu agente, prejudicando a continuidade da relação. A autenticidade empresarial é, assim, uma condição essencial para se estar no mercado.

Por seu lado, a conveniência é o factor - facilitador, incentivador e diferenciador - que pode fazer toda a diferença, tornando a organização mais competitiva. São dois os domínios principais da conveniência, os quais representam custos (ou proveitos) não-monetários - tempo e energia (esforço) - aplicados aos momentos de decisão e acesso (pré-compra), transacção (compra) e consumo (pós-compra). Como em todos os aspectos do marketing, vale sobretudo a percepção do consumidor, servindo a realidade objectiva apenas para sustentar a imagem desejada.

Neste contexto, tanto a dificuldade na aquisição de bilhetes, como a incongruência no sistema de preços da CP, só podem ser explicados por uma inaceitável falta de integração de sistemas - tecnológicos, humanos, financeiros ou outros, o que aos olhos do consumidor se revela desajustado da sua disponibilidade de tempo e energia, nomeadamente quando comparado com outros sistemas de transporte e outros processos de atendimento e serviço ao cliente.

Rapidez e qualidade são, em geral, sinónimos de preço mais elevado, e vice-versa, mormente quando as alternativas são oferecidas pela mesma organização, independentemente de se apresentar com insígnias (pouco) diferentes. E resta a heurística mais básica, que é a de que quanto mais se consome mais se paga, mesmo oferecendo-se um desconto de quantidade. Assim julga o consumidor, que só entende o contrário quando isso lhe é explicado de forma clara e verdadeira.

José Rafael Nascimento
Docente universitário, especialista em Marketing
gazeta.caldas@gmail.com



Paulo Almeida