
Faro [Portugal], 05.11.2009, Semana 45, Quinta-feira, 14:32
A página da web "O Mirante.pt", publicou ontem uma notícia relativa a uma acção da REFER, pelo que com cortesia, editamos de seguida a mesma na íntegra, por ser relevante em matéria ferroviária.
As portas e janelas das casas que não estão habitadas do Bairro Camões, no Entroncamento, foram tapadas com paredes de alvenaria pela REFER Rede Ferroviária Nacional). A situação foi denunciada pelo vereador do Bloco de Esquerda, Carlos Matias. Que acusou a empresa de não fazer as “obras mínimas que se exigem para manutenção do Bairro”.
O Bairro Camões é um dos antigos bairros construídos pela CP no Entroncamento, para alojar os seus trabalhadores e respectivas famílias. Segundo Paula Gama do Rosário, autora de uma monografia sobre o Entroncamento, publicada em 1995, “é constituído por 14 grupos de duas casas e por quatro casas isoladas, num total de 32 habitações”. Foi projectado pelos arquitectos Luís da Cunha e Cottinelli Telmo e construído em 1926, conforme se pode ler num painel de azulejos situado nas traseiras da escola.
Numa intervenção feita no decorrer da reunião do executivo municipal, dia 28 de Outubro, o autarca do BE apontou o facto de aquela acção da REFER ter alterado o aspecto exterior de grande parte das moradias o que configura uma obra ilegal. Carlos Matias pediu que os serviços de fiscalização da câmara verifiquem a situação e levantem os respectivos autos. “(…) não me consta para ali ter sido autorizada a construção de bunkers”, sublinhou.
Ouvido por O MIRANTE, o vice-Presidente da câmara, João Vieira disse que, embora a REFER não tenha dado conhecimento do que iria fazer, está a dar sinais de querer impedir a degradação do bairro. “Ainda há pouco tempo a empresa nos contactou para saber que empresas há no Entroncamento com capacidade para reparar os telhados das casas. Quem quer reparar os telhados não parece ter intenção de querer ver o património degradado. O fecho de janelas e portas também terá por objectivo proteger as habitações de actos de vandalismo”.

Luís Moreira