19 outubro 2009

News Release 1093 : DSB


Faro [Portugal], 19.10.2009, Semana 43, Segunda-feira, 12:36 - Além das páginas web que a LUISFER realiza e que todos os nossos amigos leitores já conhecem, existem também outras páginas (ferroviárias), sejam elas dos organismos, das redes e da infra, como das associações e dos amigos dos comboios. Nesse sentido, estamos a apontar e a referir regularmente neste nosso blogue oficial, um outro site, que ligado à área ferroviária, gostariamos de dar a conhecer, se for o caso, aos nossos amigos leitores e assim, poderem aceder a essa página web.

Sendo assim, damos hoje destaque ao Site da Danske Statsbaner, que é a operadora ferroviária da Dinamarca, congénere da nossa CP e que se denomina "DSB".



Página: DSB
Endereço URL: http://www.dsb.dk
Situação: Activa
Língua: Dinamarquês e inglês
Autor: Equipa DSB
Classificação LUISFER
Page Screen: 6 em 10
Page Total: 6 em 10

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Luís Moreira


News Release 1092 : CP versus REFER


Faro [Portugal], 19.10.2009, Semana 43, Segunda-feira, 12:09 - Na nossa News Release anterior, assim como na News Release 1075, editamos duas notícias que editadas no Público e Diário do Sul, argumentam sobre desentendimentos entre a CP e a REFER, no que toca à futura total supressão do tráfego em parte da Linha do Alentejo e da Linha de Évora, para estarem sujeitas a novas beneficiações.

Também na News Release anterior, são conhecidas através da notícia editada, posições da APAC (por parte do seu presidente, o nosso amigo Nélson Oliveira), assim como do terrível Engº Arménio Matias (presidente da ADFER), que também conhecemos e que tanta polémica tem causado com a sua posição sobre a Terceira Travessia sobre o Tejo.



Sobre esta matéria, gostariamos de dizer o seguinte:

- Todos os nossos amigos leitores, especialmente aqueles que há mais anos acompanham a nossa actividade, sabem que temos um carinho e amor especial pela CP e também pela REFER, porque agora sendo duas empresas distintas, antes eram só uma e com a CP de antigamente, tivemos e temos uma cumplicidade de amizade de mais de 30 anos.

- No entanto, não era expectável que acontecesse e já aconteceu também no passado, desentendimentos entre estes dois operadores, pois como nos lembramos dos conflitos por causa do pagamento que a CP tem que fazer à REFER pelo uso da infra, assim como outras situações de conflito.

- Em relação à Linha do Alentejo e Évora, a REFER pode dizer que "é presa por ter cão e presa por não ter", mas esta situação, seria desnecessária acontecer, se houvesse um planeamento pensado como deve ser, visto num todo da rede ferroviária, e não em zonas ou linhas e trajectos específicos. Realmente, não foi há 10 ou 15 anos que se renovou a via na Linha de Évora entre Casa Branca e Évora, foi há quase 3 anos, portanto, deveria ter-se preparado os instrumentos financeiros e de projecto, para se fazer nessa altura (electrificação e não só), o que agora se anuncia que se vai fazer. Aliás, segundo nossa opinião, (cf Directório), existem opções nos investimentos da REFER, que para nós, deviam ser noutros trajectos e noutras linhas, embora, em alguns deles concordemos com o que a REFER está fazer. Sabemos, que são visões diferentes e legítimas, seja por parte da REFER, como por parte da LUISFER. Aliás, aqui o Engº Arménio Matias tem razão, no passado, sempre se fizeram todas as obras, mas nunca se suspendeu (e se suspendia, por algumas horas nocturnas o era) o tráfego ferroviário, que embora condicionado sempre se fez.

- Sabemos também que nestas linhas referidas nestas notícias, o tráfego é muito reduzido e deficitário também o produto dessa exploração, mas deve-se pensar em termos futuros numa rede integrada e não amputada, como por exemplo, seria um disparate total, encerrar de maneira definitiva Covilhã - Guarda, ficava amputada a ligação à Beira Alta, que é importante e estratégica, como alternativa, entre outros factores.

- Sabemos que os sindicatos são muito contudentes com a REFER e com o seu presidente Engº Luís Pardal (presidente, fecha, fecha), mas essa é a sua forma de actuar e sabemos como se faz a transmissão do movimento, com estas entidades.

- Em relação à APAC, revela realmente um desconforto com o que se passa, mas em relação ao Engº Arménio Matias, sabemos que a sua grande batalha é contra o governo em especial, por causa das medidas erradas (também concordamos, em parte com o presidente da ADFER) em relação ao TGV e em especial, no que concerne à TTT.

- A LUISFER há muitos anos que conhece muitos quadros superiores da CP, muitos deles que transitaram para a REFER, mas, podemos dar este exemplo claro, a própria REFER reconhece (foi um quadro superior que o disse) que não consegue ter com as pessoas (leia-se público em geral) uma empatia como por exemplo tem a CP, visto que a REFER, segue uma escola de engenharia pouco aberta ao diálogo, fechada em si mesma e isso é vísivel, por exemplo, através do seu site na net, que pouco informa.

- Ainda sobre nós, todos sabem que a nossa grande constestação vai para o governo de Guterres que já passou, mas não esquecemos os graves danos causados, que Durão Barroso e Pedro Santana Lopes a seguir, depois José Sócrates, não repararam no que toca à Grande Velocidade Ferroviária em Portugal, com a constituição da RAVE, que não aceitamos de maneira nenhuma a sua existência (só aceitamos a REFER), consideramos isso um gravíssimo erro, embora saibamos que a RAVE ficou triste - um seu administrador disse-nos ao telefone, a propósito doutra conversação, que sabia que nós não gostavamos deles (leia-se RAVE), o que nos causou uma certa graça, pela maneira como foi dita a mesma expressão-, embora isso possa causar um mal estar, pois sabemos que são as mesmas pessoas que estão na REFER e RAVE. Não estamos contra as pessoas (mas no lugar delas, se fossemos quadros da CP ou da REFER, não aceitavamos o convite para fazer parte da RAVE), mas sim contra a visão errada, que nós conseguimos "visionar" bem e que o governo de Guterres não conseguiu ver fazendo asneira e asneira grossa. Sobre este particular, o Engº Arménio Matias também tem este pecado mortal, pois já foi executivo na RAVE.

Por fim, de realçar que com tristeza, vemos estas confrontações, tidas por outras como normais entre relações empresariais, que defendem os seus argumentos, projectos e pontos de vista, sim, aceitamos e percebemos isso, mas era perfeitamente desnecessário haver este desentendimento entre pai (CP) e aquele que não que ser o filho pródigo (REFER).

Luís Moreira


News Release 1091 : 232 Kms de via sem comboios


Faro [Portugal], 19.10.2009, Semana 43, Segunda-feira, 10:26 - O jornal público de hoje, através de Carlos Cpriano, coloca à estampa uma notícia em que se refere que "Obras vão deixar 232 quilómetros de via-férrea sem qualquer comboio", em que, é implícita uma crítica à REFER, pelas várias entidades referidas.

Editamos então de seguida e na íntegra, com cortesia, o texto do Público acima referenciado:

Quatro anos depois da apresentação das orientações estratégicas para o sector ferroviário, a REFER atingiu os mínimos em investimento na rede e mantém linhas sem automotoras.

É uma situação inédita na rede ferroviária nacional. A REFER tem vindo a encerrar linhas para efectuar obras, contrariando uma prática centenária em que os trabalhos se realizavam sem interrupção do tráfego ferroviário.

As linhas do Tâmega, do Corgo e do Tua, e os troços Guarda-Covilhã e Figueira da Foz-Pampilhosa, estão fechados e não se sabe ao certo quando reabrirão. Isto porque, em alguns casos, nem sequer há projecto para avançar com as obras.

A situação contrasta com os grandes eventos do início da primeira legislatura de José Sócrates que anunciavam uma aposta forte no caminho-de-ferro em Portugal, como foi o caso da apresentação das orientações estratégicas para o sector ferroviário. Quatro anos depois, não só a REFER atingiu os mínimos em investimento na rede como, de momento, existem 178 quilómetros de via-férrea sem comboios, número que subirá para 232 quando em Maio se encerrar e renovar o troço Vendas Novas-Évora.

Com excepção da linha do Tua (onde subsistem dúvidas quanto ao seu futuro devido à construção da barragem que a poderá submergir) e do troço Guarda-Covilhã (onde decorrem obras em pontes), as restantes linhas aguardam pela concretização dos projectos de engenharia com a respectiva calendarização do investimento. Para o Corgo e Tâmega há uma vaga referência ao "início de 2011" para a sua reabertura, mas entre Figueira da Foz, Cantanhede e Pampilhosa não se sabe quando ali voltará o comboio a apitar.

Comum a quatro destas linhas foi o seu encerramento abrupto, sem qualquer aviso prévio às populações, fundamentado, mais tarde, por relatórios que alertavam para iminentes situações de risco. Nestes casos, foi criado serviço rodoviário alternativo.

Os autocarros entre a Guarda e a Covilhã custam à gestora de infra-estruturas 10.500 euros mensais desde Março deste ano. A linha já antes estivera encerrada por motivo de obras e voltou a fechar em Março, com reabertura prevista para este mês. Contudo, uma segunda empreitada deverá mantê-la encerrada por mais seis meses.

Para substituir as automotoras na linha Figueira da Foz-Cantanhede, a REFER paga 13.680 euros por mês a uma empresa rodoviária. O contrato termina em Março, mas deverá ser prorrogado, pois esta é a linha mais "esquecida" de todas, não havendo sequer projecto de modernização. Nas linhas de via estreita (Tua, Corgo e Tâmega) é a CP que suporta o transporte de substituição, mas a empresa não quis divulgar esses custos.

Para as populações locais subsistem dúvidas sobre se alguma vez o comboio voltará, apesar das promessas em contrário da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, reforçadas durante as eleições num périplo pelo Norte.

Certo é que, apesar de a CP ser a empresa incumbente do serviço público naqueles eixos, nada consta no seu site acerca dos horários dos autocarros a seu serviço. Foi assim que, nos anos oitenta, se concretizou o fecho definitivo das linhas de reduzido tráfego em Trás-os-Montes e no Alentejo,

Nelson Oliveira, presidente da APAC Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-Ferro, diz que não é por acaso que a maioria das vias encerradas para obras são do interior, com pouca procura e exploração deficitária. E lamenta que "a deficiente potenciação do efeito de rede no serviço ferroviário tenha afastado estas linhas de uma efectiva articulação dentro da oferta global da CP". Mais contundente, o presidente da Associação para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário (ADFER), Arménio Matias, diz que a modernização da rede sempre se fez sem interrupção da circulação. O encerramento, diz, "é mais uma consequência da política errada [da tutela] nos últimos anos, escondida sob um manto de falsa sabedoria e alimentada por uma poderosa máquina de propaganda, que anunciou e tentou implementar as mais absurdas opções ferroviárias".

Luís Moreira


News Release 1090 : Problemas com a LGV Lyon - Torino


Faro [Portugal], 19.10.2009, Semana 43, Segunda-feira, 10:26 - O Ministro dos Transportes italiano, Altero Matteoli, acaba de referir que o mais tardar, até Dezembro próximo, irão ser retomados os trabalhos de construção da projectada (e de muito difícil execução, dizemos nós) Linha de Grande Velocidade entre Lyon e Torino. Convém recordar, que, enquanto em terras gaulesas prosseguem os trabalhos de construção desta linha, em Itália, estavam parados os mesmos trabalhos, depois dos protestos que na altura se geraram, aquando dos Jogos Olímpicos de Turim de 2006.

Luís Moreira


News Release 1089 : 2501 foi vedeta no Museu do Entroncamento


Faro [Portugal], 19.10.2009, Semana 43, Segunda-feira, 00.05 - A FMNF-AGM (Museu Ferroviário do Entroncamento) realizou no sábado passado, um evento ligado à mítica locomotiva eléctrica 2501, que como todos sabem, foi abatida recentemente ao serviço activo no parque de material circulante da CP.

Afecta que está agora à FMNF-AGM, quis a mesma fundação, realizar no programa anunciado, uma viagem de ida e volta, com a mesma locomotiva entre o Entroncamento e a estação da Barquinha na Linha da Beira Baixa. Além disso, proporcionou-se a quem quis, fazer uma visita ao interior da locomotiva em plena praça da rotunda do museu, possibilidade essa, só possível em situações muito especiais.


Fazendo um pouco de história, a 2501 foi a primeira de 15 locomotivas eléctricas de linha, da série 2500 (2501 a 2515), que equiparam a CP em matéria de tensão monofásica 25Kv 50Hz ac. Construída pelos vários construtores que em consórcio fizeram a Groupement 50 Hz, chegou a Portugal em 1956 e cumpriu mais de 50 anos de serviço activo no nosso país. Agora, tem o merecido descanso no Museu do Entroncamento.

Créditos: Pela reprodução do cartaz, agradecimento à FMNF-AGM.

Luís Moreira


18 outubro 2009

News Release 1088 : Fabienne Keller no lugar de Zeller na RFF


Faro [Portugal], 18.10.2009, Semana 42, Domingo, 22:03 - O presidente do RFF Réseau Ferré de France, Hubert de Mesnil, já tem novamente o seu conselho de administração completo, depois da nomeação por despacho governamental de 7 de Outubro passado, de Fabienne Keller, que é uma senadora francesa e igualmente já desempenhou vários cargos nas regiões e autarquias francesas, nomeadamente, já foi presidente da Câmara de Strasbourg.



A senhora Keller, vai ocupar na RFF (o mesmo que REFER em Portugal), o lugar do administrador Adrien Zeller, falecido no passado dia 22 de Agosto.

Créditos: Pela foto, agradecimento ao Senado francês / For photo, thanks to French Senate.

Luís Moreira


News Release 1087 : Esta noite sonhei com Miguel Sousa Tavares


Faro [Portugal], 18.10.2009, Semana 42, Domingo, 10:39 - Na nossa News Release 1078, editamos com cortesia, um texto do conhecido jornalista, advogado e escritor Miguel Sousa Tavares, que editado no Jornal Expresso*, tinha como título "Esta noite sonhei com Mário Lino". Fizemos agora o "contraditório" desse texto e editamos na presente News Release, outro texto, com outro sonho. Leiam sff e façam a devida comparação.

"Terça-feira passada, a meio da manhã, faço as Linha do Sul e Norte, em direcção ao Porto e na companhia de uma estrangeira, amiga de Miguel Sousa Tavares; quinta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo ao Algarve. Tanto para lá como para cá, é uma linha de via única e dupla e com poucos e muitos comboios. Em contrapartida, numa breve incursão pela zona dos suburbanos, entre Setúbal e Pinhal Novo, vamos encontrar um tráfego cerrado, composto esmagadoramente por comboios de 2 pisos espanhóis. Vinda de um país onde os comboios quase não existem, ela está espantada com o que vê:


- É sempre assim, esta linha?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente e nos outros dias da semana, quando há muitos carvoeiros.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque o Fontes Pereira de Mello era maluco e queria dotar o país com uma rede de comboios, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais linhas destas?
- Sim, ainda outra, via Beja e que se chama Linha do Alentejo: só temos uma entre Lisboa e o Porto, vamos ficar com mais uma, que é para o TGV. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma. Estás a mentir, porque há comboio entre o Rio e São Paulo. Nós vamos ter duas entre o Porto e Lisboa: é a aposta no comboio, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me de Miguel Sousa Tavares.
- E, já agora, porque é que a Linha do Sul está deserta e a linha entre Setúbal e o Pinhal Novo está cheia de comboios?
- Porque são milhares os que vivem nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
- E porque estão quase todos apressados?
- Porque vão trabalhar.
- Mas vocês ainda não têm trabalho para todos.
- Não: a Europa quer que trabalhemos mais, mas os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...


Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:


- Mas porque não investem antes na estrada?
- Investimos, e está a resultar.
- Resultar, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a A 1 Lisboa-Porto, depois fizeram mais alguns lanços em auto-estrada na zona do litoral e ficamos com 2 auto-estradas e agora, vamos ficar com 3 auto-estradas entre Lisboa e o Porto.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, a maior parte dos utentes utiliza a A 1, enquando nas outras 2 auto-estradas, quem utiliza são os utentes locais que fazem segmentos dessas mesmo auto-estradas e não fazem o percurso todo, entre Lisboa e o Porto. Em alguns troços não há sinal de telemóvel nem Internet, há restaurante em alguns sítios, noutros há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi haver nas horas de ponta, quer em Lisboa e Porto, longas filas de trânsito e além disso, deixarem estar a velocidade máxima nos 120 km/h, que o teu amigo Miguel Sousa Tavares, não concorda e acha um absurdo. Por isso, as pessoas preferem ir de comboio e a Estradas de Portugal perde agora 15 mil milhões.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi conseguirmos fazer o trajecto entre Lisboa e Porto, com mais segurança e sem esperarmos que venha de frente, um carro contra nós, como às vezes acontece...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de Auto-Estradas.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.


Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.


- Mas, em relação ao comboio, ao menos, o TGV quando existir vai directo de Lisboa ao Porto?
- Sim, parando numa ou outra estação intermédia, por exemplo um TGV vem de A Coruña, pára em Braga, depois no Porto e depois pára em Coimbra e finalmente em Lisboa, assim como outro TGV procede de Vigo, pára só no Porto e Leiria/Fátima e depois em Lisboa, portanto, servem-se várias estações com vários comboios que fazem o mesmo percurso. Olha, o teu amigo Miguel Sousa Tavares sabe, mas fala como se não soubesse e diz que o TGV vai parar em várias estações, diz ele: de cima para baixo, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim. Se o aeroporto fosse na OTA, e não discuto agora questões técnicas, o TGV passaria por lá para servir quem vem do Norte e entraria em Lisboa, sem ter que atravessar o Tejo, isso realmente era o melhor em termos ferroviários.


Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.


- E, desculpa lá, o TGV que passará a fronteira de Portugal, ligando-se à Europa, por exemplo para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Sim, vai ter.
- Sim vai? Então, é uma boa opção e não vai ser uma ruína!
- Bem, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que alguns em Portugal são geridos por criminosos, que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ter que ser bem gerida, com comboios de passageiros e mercadorias não pesadas - aliás, ainda não admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração, se os houver: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Naaaaaaaaão, o Governo de José Sócrates, que foi quem tomou esta decisão, ganhou outra vez as eleições há semanas atrás e a oposição não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição PSD, quando era governo e agora não quer o TGV...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem uma figura destas perante acordos firmados?
- Dizem que podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, sim, porque os países escandinavos já querem o TGV, mas o teu amigo Sousa Tavares diz que não, se ele soubesse e lê-se os documentos da UIC, não dizia disparates.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa têm TGV e vocês não querem ter?
- É, dizem que assim não fazemos favores ferroviários a Espanha.


Fizemos muitos quilómetros nesta Linha do Sul e agora, na Linha do Norte , muito perto do Porto, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:


- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que são uma praga para as companhias de bandeira, que, aliás, estão a liquidar a TAP, como liquidaram outras como a Swissair e a Sabena, por outras asneiras então cometidas.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali pela esguelha da janela: sabes o que é aquilo?
- Uma ponte enorme! Extraordinário!
- Sim: é a ponte de São João, a maior do Mundo no que toca ao seu vão com 250 metros, uma peça única, não há igual, para pontes de caminho-de-ferro, percebes.
- Ena! É um espectáculo!
- Olha, o génio que a fez, era do Porto, chamava-se Edgar Cardoso, que o a cidade do Porto ainda não homenageou com uma estátua e era considerado pelos colegas de outros países, como o melhor engenheiro do mundo em pontes e estruturas especiais. Eu tenho orgulho nisso.
- A sério? Mas, estão à espera de quê para homenagear esse engenheiro!
- Não sei, mas neste país é assim.


Apesar do sol de lado, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:


- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora, como chegarmos à Índia, ao Brasil e a muitos outros locais; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez, no meio de muita fome.


Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:


- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar de comboio como em Portugal! Olha-me só para este comboio com tanta gente, agora que chegamos à tua terra natal, a cidade do Porto."

* Como não tenho acesso ao Expresso, vou de Rápido.

PS: Como gostariamos que o Miguel Sousa Tavares, soubesse, que também sonhamos com ele, e "jamais" por outros motivos que não estes, sim, por causa de Mário Lino, que esteve no governo de Sócrates para nos afligir.

Luís Moreira


News Release 1086 : 124 Anos de Comboios em COIMBRA


Faro [Portugal], 18.10.2009, Semana 42, Domingo, 10:23 - Faz hoje 124 anos, que foi inaugurado o primeiro troço daquela que muitos chamam de Linha da Lousã, mas que rigorosamente é, Ramal da Lousã. O troço em causa, liga as duas principais estações ferroviárias da cidade de Coimbra, ou seja, Coimbra-B (que deveria chamar-se Coimbra Choupal) e Coimbra (antes era conhecida e ainda há quem lhe chame de Coimbra-A) e tinha também a designação antiga de Ramal de Coimbra.



Em complemento, informamos que os restantes troços da Linha de Arganil, nome pela qual também foi conhecido o actual Ramal da Lousã, foram inaugurados em 1906 (Coimbra à Lousã) e 1930, para o troço restante, ou seja, Lousã até Serpins.

Como certamente todos sabem, está iminente o encerramento definitivo do Ramal da Lousã, tal e qual como hoje o que conhecemos, a fim de, se dar início também muito em breve, à construção da rede do Metro do Mondego.

Luís Moreira


17 outubro 2009

News Release 1085 : 40 Anos do Centro de Formação da CP


Faro [Portugal], 17.10.2009, Semana 42, Sábado, 10:54 - Faz hoje 40 anos, que a CP e as autoridades de então, inauguraram no Entroncamento, o Centro de Formação da CP. Tido como uma escola essencial na aprendizagem, foi durante décadas factor de desenvolvimento na estrutura e formação do pessoal CP especializado, especialmente na formação de maquinistas.



Como os nossos amigos leitores certamente sabem, hoje, este centro de formação faz parte integrante do património da Fernave, que é uma subsidiária da CP (que detém 70%) e que, além da operadora ferroviária nacional, também são accionistas a REFER e o Metropolitano de Lisboa.

Créditos: Pela foto, agradecimento à CP.

Luís Moreira


News Release 1084 : Cantinho dos Comboios


Faro [Portugal], 17.10.2009, Semana 42, Sábado, 10:30 - Além das páginas web que a LUISFER realiza e que todos os nossos amigos leitores já conhecem, existem também outras páginas (ferroviárias), sejam elas dos organismos, das redes e da infra, como das associações e dos amigos dos comboios. Nesse sentido, estamos a apontar e a referir regularmente neste nosso blogue oficial, um outro site, que ligado à área ferroviária, gostariamos de dar a conhecer, se for o caso, aos nossos amigos leitores e assim, poderem aceder a essa página web.

Sendo assim, damos hoje destaque ao Blogue de Luís Miguel, que se denomina "Cantinho dos Comboios".



Página: Cantinho dos Comboios
Endereço URL: http://luis363.blogspot.com
Situação: Activa
Autor: Luís Miguel
Classificação LUISFER
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Luís Moreira


16 outubro 2009

News Release 1083 : Bebé salva-se miraculosamente ao ser colhido por comboio


Faro [Portugal], 16.10.2009, Semana 42, Sexta-feira, 13:03 - A SIC Notícias tem estado a exibir um vídeo, que vindo da Austrália, nos mostra um momento de aflição primeiro e milagre depois, senão veja-se:



O texto que a SIC coloca para informar o seu telespectador é o seguinte:

"Imagens gravadas pelas câmaras de segurança na estação de comboio de Ashburton, em Melbourne, mostram o momento em que o carro de bebé desliza, sendo apanhado pela frente do comboio.

O condutor do comboio apercebeu-se a tempo de travar, mas mesmo assim não conseguiu evitar o embate e o carrinho foi arrastado 40 metros.

Apesar do horror e desespero da mãe e das pessoas que estavam na plataforma, o bebé salvou-se sem ferimentos graves. Foi examinado no hospital pediátrico da cidade e regressou a casa nessa mesma noite.

"Foi uma grande sorte e é a oportunidade para pensar em colocar mais anúncios para que haja cuidados suplementares nas plataformas", disse o chefe de polícia Michael Ferwerda.

Mas há quem chame a atenção para o facto da mãe ter prendido o bebé com o cinto do carrinho, o que nem sempre acontece, e que foi um factor acrescido de protecção. Caso não o levasse colocado, o bebé teria sido projectado para fora do carrinho e o desfecho seria provavelmente outro."

Isto só nos recorda, que temos que estar sempre atentos e não descuidar nunca os cuidados que devemos ter.

Luís Moreira


News Release 1082 : Exposição no Cais do Sodré (120 anos da Linha de Cascais)


Faro [Portugal], 16.10.2009, Semana 42, Sexta-feira, 12:00 - Desde o dia de hoje e até ao último dia deste ano de 2009, estará patente na estação lisboeta do Cais do Sodré, uma exposição que nos lembra e traz à memória, os tempos passados e a evolução da linha de Cascais, que está a comemorar os seus 120 anos de existência.



Lembramos, que a Linha de Cascais foi inaugurada em 3 períodos distintos (1889, 1890 e 1895) e estamos a referir-nos somente à via única, que foi sempre assim que se construíu em Portugal, só mais tarde é que se duplicou a via, nos casos onde ela existe (por exemplo, na Linha de Cascais), como é óbvio e também em datas parcelares subsequentes. Recordando então, o primeiro troço a ser inaugurado foi o do fim da linha tal e qual hoje conhecemos, ou seja, em 30 de Setembro de 1889 (daí os 120 anos), inaugurou-se entre Pedrouços e Cascais (também o troço mais longo), depois, no ano seguinte, em 6 de Dezembro (120 anos em 2010), foi a vez de se inaugurar o troço entre Pedrouços e Alcântara-Mar, finalmente, 5 anos depois em 4 de Setembro de 1895, inaugurou-se o troço que falta e que é entre Alcântara-Mar e o Cais do Sodré (120 anos em 2015). Quanto à via dupla, ela foi inaugurada em 6 datas diferentes, sendo a primeira, coincidente com a inauguração que agora comemora os 120 anos, mas só se instalou esta 2ª via entre Pedrouços e Caxias e o sexto e último troço a ser dotado com via dupla, foi entre o Cais do Sodré e Belém, em 4 de Julho de 1897.

Para a história fica também a data de 15 de Agosto de 1926, quando foi então inaugurada a tracção eléctrica, sendo 6 dias depois (21 de Agosto) desligada imediata e urgentemente, visto que afectava as comunicações com o cabo submarino existente na zona. Depois de solucionado o problema, a tracção eléctrica foi restabelecida em 22 de Dezembro de 1926 até aos nossos dias.

Convidamos então todos os nossos amigos leitores interessados a fazer visita a esta interessante exposição. Editamos junto com este post, o flyer que a CP nos enviou e relativo ao evento.

Luís Moreira


News Release 1081 : Interdição da via Campanhã-Gaia e Esmoriz (19 a 25Out)


Faro [Portugal], 16.10.2009, Semana 42, Sexta-feira, 11:32 - Recebemos nos nossos serviços, o seguinte aviso da CP, que relevante, aqui editamos na íntegra em favor dos interessados:

 Interdição da via Campanhã-Gaia e Esmoriz (19 a 25Out)

A CP informa que na sequência das obras em curso, da responsabilidade da REFER, EPE, haverá intervenções entre Gaia (Devesas) <> Esmoriz e Porto Campanhã <> Esmoriz, nos dias 19, 20, 21, 22, 23, 24 e 25 de Outubro de 2009, provocando as seguintes alterações ao serviço urbano:

SENTIDO PORTO -> AVEIRO

Nos dias 19, 20, 21, 22, 23 e 24 de Outubro 2009, o local de embarque/ desembarque para o Comboio 15901/0 em Gaia (Devesas), Coimbrões, Madalena, Valadares, Francelos, Miramar, Aguda, Granja, Espinho, Silvalde, Paramos e Esmoriz, será o contrário ao habitual, dado que a circulação ferroviária apenas se fará por uma via. Esse comboio com saída de Porto São Bento às 00:50, poderá registar atraso.

No dia 25 de Outubro 2009, o local de embarque/ desembarque para o Comboio 15901/0 em General Torres, Gaia (Devesas), Coimbrões, Madalena, Valadares, Francelos, Miramar, Aguda, Granja, Espinho, Silvalde, Paramos e Esmoriz, será o contrário ao habitual, dado que a circulação ferroviária apenas se fará por uma via. Esse comboio com saída de Porto São Bento às 00:50, poderá registar atraso.

Agradecemos a sua compreensão para os incómodos causados. Para mais informações contacte os nossos serviços.

Luís Moreira


News Release 1080 : SNCF vai adquirir 100 AGV's


Faro [Portugal], 16.10.2009, Semana 42, Sexta-feira, 10:47 - A SNCF está a planear o fornecimento de até 100 novos TGV. Mais rigorosamente, não são TGV (Train à Grande Vitesse) mas sim a nova concepção e segunda evolução, ou seja, o AGV (Automotrice à Grande Vitesse), que é uma nova geração de comboios para a grande velocidade e equipados para operar os serviços transfronteiriços na sequência da liberalização dos serviços internacionais de passageiros na União Europeia.

Aliás, o presidente Guillaume Pepy - que foi confirmado em 11 de Outubro na SNCF -, que está então a planear um pedido firme de 35 composições, com opções para outras 65. Sob uma estratégia de aquisições aprovado pelo conselho de administração da SNCF, em julho passado, a operadora espera lançar discussões com os principais fabricantes, incluíndo a Alstom, Bombardier e Siemens, até ao final deste mês, e emitir um concurso formal, em janeiro de 2010. Este programa vem substituir as anteriores propostas de adjudicação de um contrato-quadro que abrangia várias centenas de composições, para aumentar o parque e permitir a substituição do antigo TGV.



Segundo o director-geral adjunto da SNCF, responsável pelos Services Voyageurs, Mireille Fougère, o novo sistema e conceito de multi-composições estaria habilitado para operar tanto na SNCF como nos redes dos países vizinhos, como na SNCB, NS, DB, CFL, SBB, FS e RENFE. Um lote de 13 conjuntos avaliados em cerca de € 400 milhões para substituir os multi-TGVs (TGV 100) que como se sabe é um sistema utilizado pela SNCF joint-venture e SBB Lyria e ainda um número semelhante aumentaria a frota utilizada nos serviços Thalys para Bruxelas, Amesterdão e Colónia.

Também é importante referir que é para a SNCF, uma prioridade concluir a extensão do planeado TGV Interconnexion em todo o sul de Paris, a partir de Valenton de Massy, onde o TGV actualmente tem que compartilhar faixas da Grande Ceinture com os suburbanos da SNCF e RATP. Esta linha (LGV) terá uma estação próxima ao aeroporto de Orly e outra em Villeneuve-Saint-Georges. Um outra estação seria construída em La Défense, no lado ocidental da cidade, como o eixo principal da proposta da LGV Paris - Rouen - Le Havre. Esta LGV seria ligada a Massy por uma rota orbital em torno sudoeste da cidade. A ligação entre o norte de Paris iria ligar La Défense, com a LGV Nord, permitindo ao Eurostar servir o novo hub com 2:15 de tempo de viagem desde Londres.

Ainda segundo Pepy, o sonho da SNCF é ter 12 estações de TGV para os 12 milhões de habitantes da Ile-de-France. Grand Paris seria ligada à rede europeia de alta velocidade, para desafiar Londres ou Frankfurt. O custo total do projeto está estimado entre os € 250 e € 500 milhões, com grande parte do financiamento a ser assegurado pelo governo francês e regional da Ile-de-France.

Crédito: Pela foto, agradecimento à Alstom / For photo, thanks to Alstom.

Luís Moreira